Da Reme à universidade, professora leva projeto de aves à COP15 – CGNotícias
março 20, 2026O que começou de forma simples, em uma sala de aula da rede municipal de Campo Grande, ainda como estudante de Ciências Biológicas, há cerca de 30 anos, ajudou a pavimentar o caminho para que a professora e pesquisadora Simone Mamede, hoje referência em educação ambiental, chegasse à COP15 com um projeto de extensão selecionado para um dos maiores eventos ambientais do mundo.
Atualmente professora da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e também vinculada à pós-graduação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Simone construiu uma trajetória marcada pela educação, pela pesquisa e pela conservação ambiental.
Sua relação com Campo Grande vai além das origens. Ao longo dos anos, desenvolveu estudos sobre biodiversidade urbana que contribuíram para projetar a cidade como referência nacional na observação de aves, destacando o potencial da biodiversidade urbana e o papel das áreas verdes no equilíbrio ambiental e na qualidade de vida.
No início da carreira, ela lecionou na Escola Municipal Professora Maria Tereza Rodrigues, no bairro Santa Emília, uma experiência que ajudou a moldar sua vocação e reforçar o compromisso com a educação.
Projeto selecionado
Agora, essa trajetória ganha um novo capítulo com a participação na COP15. O projeto de extensão “Pré-COP15: Diálogos e Passarinhadas”, coordenado por Simone na UFT, foi selecionado para compor a programação do Espaço Brasil, na Blue Zone do evento. A iniciativa, desenvolvida principalmente no Tocantins, conecta educação, ciência cidadã e observação de aves como ferramentas de conscientização ambiental.
O projeto reúne diferentes áreas do conhecimento e promove ações que vão desde diálogos com comunidades até atividades práticas de observação da natureza, aproximando as pessoas das espécies migratórias e dos desafios da conservação. Mais do que ensinar, a proposta busca sensibilizar e criar vínculos entre as pessoas e o meio ambiente.
É dessa vivência que nasce o “Passarinhar”, que transforma a observação de aves em uma experiência educativa e acessível. A iniciativa integra áreas como Biologia, Geografia, Direito, Turismo e Educação, conectando universidades, pesquisadores e comunidades em diferentes estados do país. As chamadas “passarinhadas” convidam os participantes a um olhar mais atento sobre o ambiente e sobre as espécies migratórias, que cruzam continentes e dependem da preservação de diferentes territórios para sobreviver.
Para Simone, participar da COP15 em Campo Grande tem um significado especial e simbólico. “Sou sul-mato-grossense e estar em Campo Grande durante a COP15 me traz reflexões sobre o nosso papel como cidadãos planetários, na busca pela conservação da Terra com qualidade de vida para todos. Estar na Capital da Observação de Aves, cidade onde vivi e para a qual contribuí em diversas frentes pela conservação ambiental, é muito significativo. Foram anos de pesquisa sobre biodiversidade urbana, que resultaram em estudos e artigos como o mapeamento de hotspots de observação de aves, roteiros para o turismo, além de trabalhos que ajudam a explicar por que Campo Grande é reconhecida como a Capital da Observação de Aves”, afirma.
Passarinhadas durante a COP15
Durante a programação da COP15, o público também poderá participar das “passarinhadas”, atividades abertas de observação de aves que integram o projeto. As ações serão realizadas nos dias 24 e 27 de março, em Campo Grande, organizadas pela UFT, UFMS e Instituto Mamede, por meio do projeto “Vem Passarinhar”.
As atividades são abertas ao público e têm como objetivo aproximar a população das espécies migratórias e promover a educação ambiental na prática. Para a passarinhada do dia 24, as inscrições estarão disponíveis por meio de link a ser divulgado, enquanto a programação do dia 27 será informada posteriormente pelos organizadores.
#ParaTodosVerem: Imagem do projeto de pesquisa coordenado por Simone Mamede.
